A agropecuária é o setor da economia que mais contribui para o desenvolvimento do estado e consequentemente do nosso município. Em Palmeira, o cultivo de soja representa 34%  na produção agropecuária. Em segundo lugar está a pecuária leiteira, com 14%. As informações do Departamento de Economia Rural (DERAL)também indicam que Palmeira é a 4ª produtora de leite nos Campos Gerais, sendo destaque no Paraná.

São 70 milhões de litro de leite por ano, seguido da cultura do fumo com 12%. O que chama atenção nesses dados é a redução da produção de milho em Palmeira, representando apenas 2%.  Enquanto aves indicam 7%na produção agropecuária do município. Ainda de acordo com o DERAL, a cidade clima do Brasil é a 20ª do Paraná no valor bruto de produção agropecuária. São mais de 500 milhões de reais obtidos com o valor bruto de produção, que diz respeito a tudo que sai do solo, desde agricultura, pecuária e floresta.

Os números reafirmam a importância dessas atividades e seu impacto na economia. Responsável por acompanhar a situação da agropecuária paranaense, o DERAL trabalha com as informações sobre o desempenho e comportamento do setor.

Carlos Osternack atua no DERAL há 40 anos e seu trabalho engloba as cidades de Palmeira, Porto Amazonas e São João do Triunfo.  Sobre a produção da última safra de soja em nosso município ele explica que na safra 2017/2018 recentemente colhida e em fase de comercialização o município plantou 51.000 hectares, área 2%maior que a safra 2016/2017. Nessa área os agricultores obtiveram a produção de 183.600 toneladas de soja, com uma produtividade média de 3.600 quilos por hectare, como informou Osternack.

As informações do Departamento de Economia Rural apontam que a produção de soja da safra 2017/2018 foi cerca de 3,4%inferior a produção 2016/2017. “Essa safra 2016/2017 foi histórica em termos de condições climáticas, o que permitiu que fosse colhida uma das maiores safras em termos de produção do município de Palmeira”, lembrou o economista.

Os números do DERAL de Palmeira também mostram que embora a variação de produtividade em relação à safra 2016/2017 tenha sido menor, a produção atual apresenta bons resultados. Assim, de acordo com Osternack, o cenário permite que os produtores de soja tenham uma boa rentabilidade nessa safra. “O mercado é favorável principalmente puxado pelo dólar. Hoje a cotação está cerca de R$3,70 e isso vem mantendo os preços das sojas em bons níveis. Para se ter uma ideia nesse ano de janeiro a maio nós já tivemos 21%de variação no preço da soja começando em janeiro a R$ 62,20 a saca, até maio um preço médio de R$ 75,17. Um incremento de preço bom que garante uma rentabilidade boa aos produtores”, comentou.

A safra de soja 2017/2018 possui uma área de 583.355 hectares nos Campos Gerais, sendo que desse total, 51.000 hectares diz respeito à soja plantada em Palmeira.

Palmeira e a pecuária leiteiraO profissional do DERAL em Palmeira lembrou que o município está há alguns anos em 4º lugar na produção de leite nos Campos Gerais. Segundo ele, alguns dos fatores que contribuem para essa posição é a existência deuma boa estrutura instalada para comercialização  a nível de município que recepciona o leite do produtor. Além dessa estrutura local, há várias outras empresas que buscam o leite em Palmeira, garantindo aos produtores, como explicou o economista várias opções de comercialização do produto. Isso permite uma concorrência maior e um preço médio melhor a nível de produtor.

Com as manifestações dos caminhoneiros, várias atividades foram afetadas, entre elas o setor de leite. Como as vacas precisam ser ordenhadas diariamente, houve prejuízos na produção leiteira em função do armazenamento do produto. Para os pecuaristas do município não foi diferente. “Nós tivemos alguns produtores que perderam a produção, tiveram que jogar produto fora. Eles possuem tanques, mas a capacidade de armazenagem é por alguns dias apenas”, relatou Osternack.

Cultura do fumo no municípioPalmeira  possui cerca de 1355 estufas instaladas no município distribuídas entre 1155 famílias. Assim, a cultura do fumo é a terceira de maior impacto para a agropecuária de Palmeira.  O economista do DERAL explica que as pequenas propriedades da região são viabilizadas em função do cultivo do fumo. “Para se ter uma ideia da importância da cultura na região, essas 1155 propriedades que possuem o fumo, representam 49%da propriedades instaladas no município”, explanou Osternack.

Outro apontado pelo profissional do DERAL que indica a relevância da produção de fumo para a região é o controle de êxodo rural. Segundo ele, a culta é a grande responsável em permitir que produtores que possam se manter na atividade com uma boa qualidade de vida e boa estrutura familiar.

Para exemplificar melhor a questão, o economista faz um comparativo com a produção de soja. “A receita bruta da cultura do fumo é cerca de 68 mil por alqueire. Considerando o preço médio entre R$9,50 e R$9,70 e uma produtividade de 2.900 quilos por hectare que é a média que os produtores obtém de colheita, para o produtor de soja alcançar a mesma receita bruta ele teria que colher quase 800 sacos de soja para conseguir a mesma receita por área  comparativamente a cultura do fumo”, explica Osternack.

Foto:Juarez Bornancin